Wall Street fecha sem direcção, com a subida de taxas de juro a enervar investidores

A subida repentina das taxas de juro a enervou os investidores e a eclipsou a perspetiva de uma época sólida de resultados empresariais

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Lusa

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Operadores trabalham na New York Stock Exchange (NYSE) em Nova York, EUA
02/07/2018
REUTERS/Brendan McDermid

Os resultados definitivos da sessão desta segunda-feira indicam que o selectivo Dow Jones Industrial Average ganhou 0,15%, para os 26.486,78 pontos.
Já os outros índices de referência fecharam em perda, com o tecnológico Nasdaq a recuar 0,67%, para as 7.735,95 unidades, e o alargado S&P500 a perder 0,04%, para as 2.884,43.

A sessão de ontem teve uma duração mais reduzida, devido à celebração do Dia de Colombo, o que limitou as transacções.

O mercado obrigacionista esteve mesmo fechado, o que não impediu que os investidores se continuassem a interrogar sobre a repentina subida das taxas de juro da dívida pública dos Estados Unidos da América (EUA) observada na semana passada.

A taxa paga pela dívida norte-americana a dez anos subiu para o seu nível mais elevado desde 2011, terminando na sexta-feira perto de 3,23%, e a da dívida a 30 anos atingiu um máximo desde 2014.

Mesmo que seja resultado da boa saúde da economia norte-americana, esta subida está a ser considerada como o anúncio do fim de festa para os corretores de Wall Street, que têm beneficiado em muito nos últimos anos das baixas taxas do banco central dos EUA, a Reserva Federal, para recorrerem massivamente a dinheiro barato.

Os rendimentos mais elevados propiciados pelo mercado obrigacionista poderiam, assim, incitar alguns investidores a preferir esta classe de activos, considerados menos arriscados do que as acções.

Alguns receiam também ver a subida das taxas de juro travar o apetite dos consumidores e das empresas por empréstimos destinados ao investimento, à compra de bens imobiliários ou ao consumo.

De forma geral, esta brusca subida da tensão no mercado obrigacionista norte-americano “vai pesar, sem dúvida, nos índices até que se entre verdadeiramente na época dos resultados trimestrais, com os números dos três grandes bancos JPMorgan Chase, Citigroup e Wells Fargo, na sexta-feira”, sublinhou Peter Cardillo, da Spartan Capital Securities.

A sociedade S&P Capital IQ admite que as empresas que integram o índice S&P500 deverão divulgar, em média, uma subida do lucro por acção em 21,3% no terceiro trimestre.

Esta subida é inferior ao verificado no segundo trimestre (25,2%), mas bem mais do que o apresentado pelo conjunto do ano de 2017, que foi de 11,9%.

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