Presidente português promete resultados da cooperação bilateral nos próximos dias

Marcelo Rebelo de Sousa desvalorizou incidentes do passado e do presente e promete para os próximos dias resultados do trabalho conjunto das chancelarias

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O Presidente da República de Portugal, Marcelo Rebelo de Sousa (C), é recebido por grupos de dança tradicional, à chegada ao aeroporto de Maputo dando início a uma visita oficial de 4 dias a Moçambique, Maputo, 3 de maio de 2016. JOÃO RELVAS/LUSA

O Presidente português, que chegou ontem a Luanda, retribuindo assim a visita recente a Portugal do seu homólogo angolano João Lourenço, classificou como “irritantes” os incidentes do passado, numa alusão ao caso que envolve o antigo vice-Presidente Manuel Vicente, e como “insignificante” o incidente diplomático entre o Ministério dos Negócios Estrangeiros português e o Ministério das Relações Exteriores angolano, na sequência da polémica carga policial do Bairro da Jamaica, na periferia de Lisboa, onde habitam muitos africanos. Marcelo Rebelo de Sousa chegou a ser criticado em Portugal por ter visitado o Bairro da Jamaica, após os incidentes violentos que ali se verificaram, sem o conhecimento das chefias policiais, que se sentiram desautorizadas.

Marcelo Rebelo de Sousa prefere olhar para o futuro, para o que chamou “importante” e que se prende com a vida de 200 a 300 mil angolanos e portugueses “que vivem cruzados nos dois territórios e que têm problemas concretos de emprego, finanças, sociais, entre outros de vária ordem”, referiu. Pelo que é de admitir que o Presidente português irá anunciar, ao longo da visita de quatro dias que inicia hoje, quarta-feira, e que prevê, além de Luanda, passagens pelas províncias de Benguela e Huíla, algumas soluções que facilitem a vida dessas dezenas de milhares de angolanos, angolanas, portugueses e portuguesas.

Está retomada a cooperação entre os dois países, após o malogro da “parceria estratégica” desenhada quando aos destinos de Angola presidia José Eduardo dos Santos e aos de Portugal Cavaco Silva, dois homens que pessoalmente se davam bem. Vários incidentes, relacionados com processos judiciais e críticas nos canais privados portugueses ao regime angolano turvaram as relações entre os dois países. A relação comercial também arrefeceu significativamente. Portugal vai, cada vez mais, perdendo a posição que detinha enquanto fornecedor de Angola. Não só perdeu o primeiro lugar para a China, como as transacções comerciais vão diminuindo de volume. O investimento directo português em Angola esmoreceu e Portugal é o terceiro destino preferido pelos investidores angolanos, onde detêm perto de 890 milhões de dólares, de acordo com os dados do Banco Nacional de Angola (BNA).

As novas relações entre os dois países já permitiu a assinatura de um acordo sobre dupla tributação e na facilitação de vistos para investidores portugueses, mas pouco mais. As concessões de vistos, em geral, não registaram alterações, mantendo-se a mesma e vasta burocracia, e a escassez de divisas que Angola enfrenta dificulta que os portugueses que trabalham no país consigam ver satisfeitas as suas transferências de dinheiro.

A visita de João Lourenço a Portugal correu bem e a do seu homólogo a Angola será seguramente um sucesso mediático e de popularidade. O Presidente português é conhecido por saber distribuir simpatia, mesmo que tal signifique beliscar protocolos. Além disso, Angola não é território estranho a Marcelo Rebelo de Sousa, bem pelo contrário, pois visitou frequentemente o país antes de assumir a presidência em Portugal.

Hoje, quarta-feira, a visita de Estado do Presidente português começa com a deposição de uma coroa de flores no Memorial Agostinho Neto, e um encontro com o Presidente João Lourenço no Palácio Presidencial. Registe-se que Marcelo Rebelo de Sousa fez questão em estar presente no 65º aniversário de João Lourenço.

Enquanto os dois presidentes conversarem decorrerão paralelamente vários contactos a nível ministerial. No final do encontro João Lourenço e Rebelo de Sousa darão uma conferência de imprensa conjunta. Talvez então se comecem a perceber melhor o que esta visita do Presidente português a Angola poderá produzir de concreto, para além de alargar a porta para um maior entendimento entre os dois Estados.

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