Petróleo em queda, com preço já abaixo de 70 dólares

O preço do petróleo anda há 15 dias em quebras acentuadas e já está mesmo abaixo de 70 dólares por barril

FONTE:

NNH com Jornal de Negócios

AUTOR:

petróleo barris barril2

Dia 3 de Outubro o preço do petróleo atingiu um máximo de quatro anos, 86,74 dólares por cada barril de Brent, referência das ramas nacionais. Passado um pouco mais de um mês a cotação do Brent já caiu 19,6%. Ontem fechou mesmo abaixo dos 70 dólares na praça de Londres, cotando a 69,63 dólares e perdendo novamente terreno face ao fecho de véspera (menos 1,44%). O brent desvalorizou pela décima sessão consecutiva.

No caso do WTI, que já entrou ontem em “bear market” (ou seja, vendedor), continua a perder terreno e desce 1,3% para 59,88 dólares. No caso da matéria-prima cotada em Nova Iorque, esta é já a 10.ª sessão consecutiva de perdas, o que de acordo com a Bloomberg nunca aconteceu até hoje.

O preço do petróleo acumula assim 15 semanas seguidas de perdas, o que é alarmante.

Qual a explicação. Há várias.  A mais imediata está relacionada com a notícia do Financial Times, que dá conta que o Iraque está perto de chegar a acordo com o Curdistão para retomar as exportações de petróleo na região de Kirkuk. São mais 400 mil barris de petróleo por dia que podem chegar ao mercado, o que vem elevar a percepção de excesso de oferta de matéria-prima no mercado. Sobretudo porque a produção nos Estados Unidos continua a subir e este ano deve atingir novo recorde e também porque apesar das sanções ao Irão terem arrancado esta semana, foram permitidas excepções que possibilitam a este país continuar a vender petróleo para vários países, como o Japão e a Índia, dois dos maiores consumidores mundiais.

Há também a percepção de que a economia mundial está a desacelerar, com a Europa (um grande consumidor da matéria-prima a abrandar de um crescimento que, já de si, é magro. Os Estados Unidos apresentam indicadores positivos, com o mercado-de-trabalho quase em situação de ‘pleno emprego’, mas a subida das taxas de juro pode conduzir a uma lenta retracção da economia. E os norte-americanos continuam a possuir uma das maiores dívidas do planeta, tanto interna como externa, sendo que parte desta última se encontra na posse da China, atravessando as relações entre os dois países um mau momento.

Há  riscos fortes que impendem sobre o preço do petróleo, com a oferta a aumentar (o que pode levar a OPEP a rever a sua actual posição), não se sabendo onde pára esta nova descida.

O Orçamento Geral de Estado entregue no parlamento assenta o seu equilíbrio num preço médio do petróleo de 68 dólares durante o próximo ano. O preço médio do petróleo exportado por Angola situa-se normalmente 3 dólares abaixo do preço do Brent. Angola espera produzir, em 2019, 573,2 milhões de barris de petróleo bruto, mais cerca 17 milhões de barris do que o deverá produzir este ano.

Partilhe esta notícia

Artigos relacionados