Mercados de private equity: Benefícios para Angola

FONTE:

Mercado

AUTOR:

Emílio de Jesus
image_content_64030_20181111171108

Enquadramento Histórico.

O sucesso económico dos EUA assenta no private equity (capital privado), enquanto catalisador complementar do crescimento económico e do empreendedorismo empresarial diversificado e, no venture capital (capital de risco). O Private Equity tem sido o responsável de muitas novas empresas (startups) e de muitas indústrias. Veja-se o exemplo da Administração de Pequenas Empresas dos EUA (SBA) que financiou a criação da “Federal Express”, um projecto de negócios de um estudante, que revolucionou o sector das entregas internacionais.

Angola já teve o apoio da Iniciativa Private Equity / Venture Capital da USAID, com o país a beneficiar do Fundo de Desenvolvimento Empresarial da África Austral (SAEDF), fez-se um investimento de sucesso vindo de uma empresa de transporte sedeada em Angola que, no início protagonizou um grande sucesso.

2 – Antecedentes

Private Equity, catalizador do desenvolvimento e da inovação da economia, tem um passado de experiências sonantes. A queda do Muro de Berlim, em Novembro de 1989 e o colapso da União Soviética, em 25 de Dezembro de 1991 impuseramum processo de transição das economias planificadas para as economias de mercado, em 29 países do antigo Bloco oriental.

Ao perceber que esses novos Estados não tinham a capacidade necessária, no sector financeiro, para suportar essa histórica transição, o Congresso dos EUA autorizou cerca de US 1.2 mil milhões, através da Agência dos EUA para o Desenvolvimento Internacional, a fim de montar dez (10) novos fundos de investimento. Estes fundos, em conjunto, são conhecidos como os “ Fundos da Empresa” (ou os “Fundos”), cobrindo 19 dos países da europa do leste.

3 – O impacto do private equity

O private equity tem sido visto como um capital inteligente, com participação activa no desenvolvimento de novas indústrias e das empresas com os seguintes resultados:

• 1,2 mil milhões USD como financiamento do USAID/USG, investidos no desenvolvimento empresarial em 19 países;

• 1.7 mil milhões USD como recursos líquidos, obtidos de investimentos bem sucedidos, sendo reinvestidos para alavancar o crescimento e o desenvolvimento empresarial;

• 6.9 mil milhões USD provenientes de entidades privadas na base de uma proposta de valor dos Fundos.

O envolvimento do private equity nas empresas angolanas com carteira (portefólio) vai aumentar a eficiência dos esforços de inovação e melhorar a competitividade, permitindo que as empresas angolanas floresçam na economia global. Atentos a esta abordagem, os investidores privados norte-americanos, asiáticos, africanos, latino-americanos e europeus vão investir num FUNDO DE ANGOLA, com o “indispensável apoio e parceria do Governo angolano”. É evidente que este Fundo exigirá habilidades adequadas, desenvolvidas ao longo de anos de prática e experiência em private equity.

3.1 – Cultura nacional de empreendedorismo e desenvolvimento humano

Através da USAID foi concedido um significativo capital para desenvolvimento de pequenas e médias empresas. Os Fundos ajudaram a criar um ambiente onde a cultura das empresas de iniciativa privada pudesse florescer melhor, beneficiando empresários que operavam em países, em período de transição, onde o capital privado para investimento privado, era limitado ou não existia.

Tal como até hoje, a maioria dos Fundos da USAID foi privatizada. Os Fundos serviram como incubadoras para trabalhadores e empresários iniciarem a prestação de serviços financeiros e actividades industriais de investimento local. As actividades de investimento e desenvolvimento daí decorrentes criaram e mantiveram mais de 300.000 empregos. Estes resultados podem ser atingidos, em Angola, através do desenvolvimento do mercado intermediário, começando pela indústria petrolífera e mineira, o que vai conduzir a outras indústrias e à diversificação da economia.

3.2 – Actividades de diversificação da economia

O Programa Private Equity da USAID é um claro exemplo de como reabilitar uma economia e como criar novas indústrias. O legado dos USAID Enterprise Funds inclui:

• First Commercial Bank da Albania e First Leasing Bank da Russia;

• EURONET da Hungria que desenvolveu a ATM networks e back office bank services, na Europa;

• Glas Container Company da Moldávia, salvando 267 empregos, voltando aos lucros;

• Criação da maior micro empresa de finanças, na Polónia;

• Desembolso de 183 milhões USD para 69.275 empréstimos;

• Introdução do Banco de Investimento, na Roménia, para suportar a privatização de empresas públicas, incluindo dois Bancos e empresas de energia eléctrica, atraindo mais de 200 milhões USD no FDI;

3.2 – Conclusões

O private equity tem uma alta reputação e, estando suportado pela pesquisa, é um poderoso catalisador para diversificar e construir economias em bases sustentáveis.

O private equity lidera a rota para a inovação, para aparecerem novos produtos e processos que induzem o uso mais eficaz dos recursos através de uma alta produtividade. Parece que a oportunidade está a bater na porta de Angola, uma oportunidade para elaborar uma estratégia sustentável, visando diversificação da sua economia, como lançada pela Texas USA e abraçada pela GCC (Gulf Cooperation Council).

O private equity é um inegável e transparente instrumento que está pronto para ser abraçado por Angola, de modo que atinja os seus objectivos, criando novas indústrias com competitividade, inovação e, o alcance de níveis de produtividades sem paralelo, fazendo com que Angola floresça na economia mundial e, deste modo, assuma de facto o papel estratégico que deve desempenhar a nível do bloco regional da SADC.

Partilhe esta notícia

Artigos relacionados