O peso do crédito bancário ao sector privado da economia angolana representa 14 por cento do PIB (102 mil milhões de dólares), de acordo com o ministro de Estado do Desenvolvimento Económico e Social.

Manuel Nunes Júnior fez menção as economias da África do Sul, Brasil e Marrocos como exemplo, onde o peso do crédito à economia no PIB atinge valores superiores a 50 por cento.

Disse ainda que com a implementação das medidas fiscais contidas no Programa de Estabilização Macroeconómica (PEM), o défice fiscal terá diminuído para 0,4 por cento em 2018, contra os 6,3 por cento registados em 2017.

O “chefe” da equipa económica disse que no ano passado foram dados passos muito importantes neste sentido de estabilizar o ambiente económico angolano e que estão a trazer resultados que já são palpáveis.

“Penso que um deles tem haver com a própria normalização do mercado cambial. Neste momento, o diferencial entre a taxa de câmbio oficial do mercado paralelo tem estado a diminuir”, explicou.

Outro exemplo tem haver com os pagamentos atrasados em termos de divisas que estão a ser regularizados, “e isto é muito bom, não só para os empresários nacionais como também para os estrangeiros que apostam no nosso país terem a garantia de que os seus investimentos poderão ser repatriados no momento oportuno”, afirmou.

Taxa de inflação
Citou ainda a taxa de inflação que no ano passado terá ficado abaixo dos 19 por cento, contra os 23 previstos.
“Portanto, são exemplos importantes que reflectem que estamos num ambiente de criação de confiança no mercado. Além das medidas no sentido da moralização da sociedade, para o combate à corrupção, deixa claro que ninguém está acima da lei. E isso é importante para que uma economia possa funcionar”, rebate.
A conferência, realizada na última quarta-feira, contou com representantes do Governo e entidades privadas.
Manuel Nunes Júnior voltou a salientar que a economia angolana está dependente do petróleo e que precisa de ser diversificada. Referiu que, com este encontro, o Executivo quer edificar uma economia baseada num crescimento forte e sustentado, o que vai fazer com que se acabe com a dependência de um só produto que garante cerca de 95 por cento dos recursos externos do país e cerca de 70 por cento de toda a receita tributária de Angola.

Experiências sobre “gestão do crédito malparado”, “financiamento ao sector privado em Angola- Constrangimentos e soluções”, “financiamento à agricultura e à agro-indústria”, constaram dos temas em análise na primeira conferência sobre financiamento do sector privado.
O Banco Nacional de Angola ao promover o referido evento buscou juntar os “players” do sector financeiro e juntos proverem soluções adaptáveis aos principais desafios que a edonomia angolana atravessa.

Financiamento anda de porta fechada

Os caminhos para o financiamento ao sector privado, conferência promovida pelo Banco Nacional de Angola (BNA), na última quarta-feira, em Luanda, discutiram-se à porta fechada.

O JE sabe que o volume de crédito vencido nas mãos dos bancos angolanos, que actualmente ronda aos 22 por cento do total dos empréstimos concedidos é das maiores preocupações.

A banca pretende que a Recredit alargue o seu papel de recuperar o crédito duvidoso aos bancos privados, enquanto que a orientação estratégica vira-se apenas ao público BPC. Este ponto divide bancários e autoridades, que ainda assim sabem que, muito em breve, haverá saneamento com a separação das Pessoas Politicamente Expostas (PPE) no governo de instituições bancárias ou outros entes que se tenham beneficiado de créditos desse segmento. Aliás, o BNI foi dos operadores que terá beneficiado, numa fase anterior, da acção da Recredit, mas a entrada do FMI nas contas financeiras do país renegociou esta posição e limitou a acção da entidade só para o sector público.

No encontro do BNA, o PCA do banco BIC, Fernando Teles, disse à imprensa que a taxa do crédito malparado no seu banco ronda os 10 por cento. Contudo, considera que é de um percentual que não preocupa de todo a instituição.

“Nós somos dos bancos que em termos de crédito malparado temos cobertura de soluções. Mas hoje, felizmente, temos uma cobertura por previsões. Não vou dizer que estamos bem, mas estamos abaixo da média do sector”, informou.

Quanto ao financiamento, Fernando Teles salientou que actualmente o banco BIC é um dos principais financiadores com cerca de 2,8 milhões de dólares em crédito à economia, e cerca de 75 por cento (usd 2,1 milhões), foram concedidos ao Estado. “Portanto, também estamos a dar a nossa contribuição para melhorar a situação económica do país”, informou.

Por sua vez, o presidente da Comissão Executiva do Banco Angolano de Investimentos (BAI), Luís Lélis, disse que o seu banco tem a terceira maior quota do mercado em termos de crédito concedido à economia.

“A nossa carteira de crédito hoje no sector privado é de aproximadamente mil milhões de dólares distribuída em diversos sectores, desde a agricultura, pescas, construção, entre outros”, conta.
Para ele, estrategicamente para 2019, o grande desafio é garantir que os privados sejam responsáveis leais e façam o retorno dos créditos.