João Lourenço está a fazer renascer o sector do petróleo, consideram analistas

Nos primeiros meses de 2018 Angola ganhou mais dinheiro com o petróleo que em qualquer um dos quatro anos anteriores

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Está a equipa do Presidente João Lourenço a conduzir ao renascimento da indústria do petróleo angolana? A interrogação é formulada pelo Centurion Law Group no seu site, numa análise subscrita por NJ Ayuk, o fundador e CEO do Centurion Law Group e presidente executivo da Câmara Africana de Comércio de Energia, e João Gaspar Marques, analista de mercados energéticos e especialista na cobertura do sector petrolífero africano.

O artigo recorda que desde o início do mandato de João Lourenço, no Verão de 2017, “a administração de quase todos os activos estratégicos nacionais foi renovada. Particularmente na Sonangol, a liderança da mulher mais rica de África e filha do antigo presidente José Eduardo dos Santos, Isabel dos Santos, foi substituída por um tecnocrata versado na indústria petrolífera chamado Carlos Saturnino, que tem mais de 30 anos de experiência na indústria petrolífera dentro da Sonangol”.

Após assinalar as mudanças operadas na Sonangol e na estratégia para a empresa e para o sector os analistas lembram que “o Governo estabeleceu políticas que simplificaram amplamente o investimento no sector de hidrocarbonetos, esclareceram e trouxeram transparência às regras aplicáveis às rondas de licitações e concursos públicos, e introduziram a primeira lei de regulação de concorrência empresarial abrangente do país, numa sequência de decisões que estão a mudar drasticamente o panorama do sector. No geral, estas medidas referentes ao sector do petróleo estão cada vez mais a parecer uma verdadeira operação de limpeza que, esperamos, verá a Sonangol a tornar-se mais eficiente e focada no seu core business. No entanto, isso não será suficiente”.

“Os primeiros onze meses de 2018 viram Angola ganhar mais dinheiro com o petróleo do que em qualquer um dos quatro anos anteriores, no valor de 8,7 mil milhões de dólares”, realça o texto. “Embora isso contribua de alguma forma para ajudar a economia do país como um todo, esses resultados não podem ser atribuídos às recentes reformas no sector. A subida dos preços do petróleo testemunhada no período que antecedeu Novembro de 2018 justificou a maior parte dos ganhos”, refere o texto da Centurion. E acrescenta: “Se por um lado os lucros do estado com o petróleo estão a aumentar, a produção está em declínio. 2018 foi o primeiro ano em que a produção média de Angola ficou abaixo dos 1,5 milhões de barris de petróleo por dia em mais de uma década”.
“A falta de investimento em prospecção testemunhada na sequência do colapso do preço do petróleo em 2014 (que resultou numa redução drástica no número de poços de exploração – culminando em 2018 em que não houve nem um poço perfurado) significa que não existem novos projectos e reservas para substituir o declínio dos campos de petróleo activos”.

Daí que, consideram os analistas, “o presidente João Lourenço e o seu gabinete precisaram de trabalhar bastante para atrair investimentos e renovar a indústria. Em parte, este trabalho tomará a forma da Ronda de Licitações de Campos Marginais de Angola de 2019, a primeira ronda de licitações no país em mais de 8 anos”.

Com o regresso dos investidores ao sector, a nova estrutura legal criada para facilitar a exploração dos campos de petróleo marginais estancará, antevêem os analistas, o declínio da produção. O plano de reestruturação do sector dos combustíveis adoptado pela Sonangol, que passa pela multiplicação por quatro da refinaria de Luanda e da criação de outras duas refinarias (no Lobito e em Cabinda) a assinatura de acordos nos últimos meses com empresas como a BP e a ExxonMobil para acelerar o desenvolvimento em vários campos de petróleo offshore e a nova política traçada para o gás natural justificam, de acordo com os analistas, o optimismo em relação à indústria do petróleo e do gás.

“Até agora, as licenças de exploração petrolífera de Angola referiam-se apenas aos recursos de petróleo bruto. A Sonangol é tecnicamente proprietária de todos os recursos de gás natural do país, que são consideráveis. No entanto, a companhia petrolífera nacional nunca explorou realmente esses activos, preferindo concentrar-se nas reservas de petróleo que são mais lucrativas. Isto irá também mudar, uma vez que uma nova lei dará aos titulares de licenças de exploração e produção o controlo sobre os recursos de gás natural dentro das suas licenças. Esta mudança vai potenciar novos investimentos no sector, que neste momento se limita ao Projecto Angola LNG, no Soyo. Esta intenção de expansão da indústria do gás foi reforçada pela ascensão de Angola à posição de membro do Fórum dos Países Exportadores de Gás, em Dezembro”, observa o texto publicado pela Centurion.

 

 

 

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