Hoje é Dia Internacional da Mulher

Da Kitanda às Kinguilas, das poucas fábricas à agricultura, aos serviços, o que se vê mais são mulheres a trabalhar país fora

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NNH

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dia internacional da mulher

Quando entramos no maior mercado de produtos de construção de Luanda, no Gamek, só se descortinam mulheres atrás das bancas, que vendem, com profissionalismo, materiais e instrumentos cuja utilização é tradicionalmente masculina. Das Kitandas às Kinguilas, das poucas fábricas à agricultura, aos serviços, o que se vê mais são mulheres a trabalhar país fora. O seu trabalho  não é totalmente remunerado. A lida da casa, os cuidados com as crianças, uma miríade de tarefas “invisíveis” do ponto de vista da “precificação”, têm um valor económico que não é reconhecido. É visto como uma obrigação social. Se por acaso se conseguisse juntar este valor criado pelo trabalho “invisível” das mulheres daria para comprar a Microsoft, a maior empresa do planeta. Um recente trabalho da fundação Oxfam mostra que é entre as mulheres que se concentra o maior índice de pobreza, e que mesmo miseráveis continuam a fazer trabalho não remunerado.

Hoje, dia 8 de Março, celebra-se o Dia Internacional da Mulher.

Em matéria de segregação, é mais difícil reabilitar o género que a etnia ou a cor da pele. O combate contra o racismo tem trazido alguns bons resultados. Obama chegou a Presidente dos Estados Unidos, desempenhando-se bem do cargo, conferindo-lhe uma dignidade que contrasta com o folclore do seu sucessor, Donald Trump. Mas a mulher, a popular Michelle, afasta qualquer hipótese de candidatura e diz que não se dá bem com o clima da Casa Branca e da política. Nos Estados Unidos a maior diferença de rendimento dá-se entre o homem branco e a mulher hispânica. As mulheres conduzem uma luta surda, que irá marcar mais pontos com a tecnologia.

Globalmente, apenas 10% dos cargos de alta liderança são exercidos por mulheres. Contudo, pesquisas internacionais mostra que são mais determinadas, porque tiveram de batalhar mais para chegar onde chegaram e, além desse desafio, têm de enfrentar o da dupla jornada de trabalho, uma reminiscência ancestral.

A mulheres são objectos de crimes familiares, agora cada vez mais desvendados no Ocidente. Já percorreram um longo caminho e também não é curto o que lhes falta percorrer.

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