Fed, Itália e Arábia Saudita colocam Wall Street em forte queda

A perspectiva de subida de juros e pelas situações relacionadas com Itália e a Arábia Saudita pressionaram as bolsas

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bolsa bodiva

Wall Street regressou esta quinta-feira às quedas de forte amplitude, com as acções a serem pressionadas pela perspectiva de subida de juros e pelas situações relacionadas com Itália e a Arábia Saudita.

A quebra das bolsas norte-americanas fica a dever-se a um conjunto de factores que afastaram os investidores para activos de refúgio, como a dívida e o ouro.

O índice industrial Dow Jones desceu 1,26% para 25.383,39 pontos, enquanto o tecnológico Nasdaq deslizou 2,06% para 7.485,14 pontos. O S&P500 caiu 1,47% para 2.767,95 pontos.

Os receios sobre a subida de juros nos EUA foram despertados pelas actas da última reunião da Reserva Federal, divulgados na quarta-feira, que mostram que os responsáveis da autoridade monetária concordaram, na sua maioria, com a necessidade de acelerar a normalização dos juros, apesar das fortes críticas do presidente norte-americano, Donald Trump.

De acordo com as actas da última reunião do banco central, que decorreu a 26 de Setembro, os responsáveis da Fed foram unânimes na decisão de colocar a taxa de juro de referência entre 2 e 2,25%, e vários membros defenderam mesmo que a Fed deveria abandonar a actual política monetária acomodatícia, o que implica colocar a taxa de juro acima dos 3% (nível considerado neutral para a economia), ou seja num patamar considerado restritivo.

Estas indicações pressionaram os mercados accionistas e levaram os investidores a procurar refúgio nas obrigações soberanas dos EUA e no ouro. Os juros da dívida norte-americana até iniciaram o dia em alta acentuada, mas inverteram para a fechar o dia a cair 3 pontos base para 3,17% nos títulos com prazo a 10 anos. No início da sessão chegaram a subir 6 pontos base para 3,21%, um nível próximo dos máximos atingidos na semana passada.

A par dos receios com a subida de juros, as acções foram pressionadas por outros factores, como as relações entre os EUA e a Arábia Saudita devido à morte de Jamal Khashoggi, e o aumento das tensões entre Bruxelas e Roma devido ao Orçamento de Itália.
O secretário do Tesouro Steven Mnuchin anunciou que não vai participar numa conferência que decorre na Arábia Saudita, aguardando as investigações ao desaparecimento de Jamal Khashoggi.

Já depois do fecho da sessão, o presidente dos Estados Unidos afirmou que se ficar confirmado que a Arábia Saudita é responsável pela morte do colunista, então terá que enfrentar “consequências severas”.

A Lockheed Martin, que tem uma exposição elevada à Arábia Saudita, foi das acções mais penalizadas, recuando 1,62%.

No que diz respeito a Itália, os receios dos investidores intensificaram-se depois da Comissão Europeia ter denunciado que a derrapagem orçamental em Itália “não tem precedentes na história do Pacto de Estabilidade e Crescimento”, solicitando ao país que apresente as suas observações até “dia 22 de Outubro ao meio-dia”.

Na frente dos resultados as notícias também não foram positivas, com a Textron e a United Rentals a descer mais de 10% depois de anunciarem os números do semestre.

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