Erradicar a corrupção em Angola: pode a realidade equivaler à ambição?

É a pergunta colocada pela consultora A2 Global Risk no seu último trabalho sobre o país em que aborda as oportunidades e o risco das empresas estrangeiras que olham para o mercado nacional

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O Presidente Manuel Gonçalves Lourenço persegue uma elite acusada de roubar a riqueza de Angola; Num novo relatório, a A2 Global Risk avalia se as suas ambições podem corresponder à capacidade de recuperar essa riqueza, e o que isso significa para as empresas estrangeiras que procuram oportunidades em no país.

A consultora lembra que Manuel Gonçalves Lourenço, que foi eleito presidente de Angola em 2017, surpreendeu muitos observadores quando começou a prosseguir os familiares e associados do seu antecessor, José Eduardo dos Santos, no âmbito do seu compromisso de erradicar a corrupção e que a Agência das Nações Unidas sobre Drogas e Crime indica que há muito espaço para lidar com a corrupção nos países em desenvolvimento, onde 20-40 mil milhões de dólares são perdidos todos os anos devido à corrupção. As somas envolvidas excedem os fundos recebidos como assistência ao desenvolvimento.

Garantir que as transações das empresas tornando-as transparentes reduz a incerteza e reduz o risco de práticas não competitivas e proteger as instituições do Estado contra práticas corruptas também pode garantir que todos os cidadãos sejam iguais perante a lei e que o dinheiro dos contribuintes seja usado correctamente, assinala a consultora que considera, no entanto, que os esforços do Presidente da República podem ser obstruídos pelo processo complexo e lento de rastrear, congelar, confiscar e devolver os bens roubados ao país. O repatriamento complica-se também pela implicação de múltiplas jurisdições e barreiras técnicas, legais e políticas.

A A2 Gobal Risk observa ainda que “muitas perguntas surgiram sobre a razão de o Presidente ter excluído algumas personalidades de seu programa contra a corrupção, o que parece estar em desacordo com o seu discurso público”.

As pessoas politicamente expostas que entraram na nova administração podem ainda dominar as empresas angolanas até que os esforços de João Lourenço tragam frutos. Então, quais serão as consequências para as empresas estrangeiras que procuram oportunidades de investimento em Angola? São interrogações colocadas pelo relatório.

Na RECUPERAÇÃO DE ACTIVOS EM ANGOLA: entre ambição e capacidade, a A2 Global Risk procura analisar o que se passa trás das manchetes e produzir uma avaliação independente dos riscos de negócios que provavelmente afectarão as empresas que desejam entrar no mercado angolano nos próximos três anos.

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