Cidadãos do Bairro Catinton pedem socorro

FONTE:

Notícias na Hora

AUTOR:

Nilton Monteiro
Zona perigosa

Reina um ambiente de medo senão mesmo de terror face à média de quatro assassinatos por mês.

Mercado Catinton

O famoso Bairro do Catinton, município da Maianga, estende-se por 7,3 quilómetros quadrados, conta com uma população de 41.300 habitantes, e possui uma esquadra da polícia e um hospital.

Nada disto foge à normalidade. Só que Catinton destaca-se por outras, e más, razões: figura entres os bairros mas perigoso de Luanda, com um registo de assassinatos assustador, traduzido em mais de quatros mortos por mês.

Os moradores da localidade clamam às autoridades competentes por iluminação pública, por água potável e pela reparação das vias secundárias e terciárias.  Catinton debate-se com vários problemas sociais, mas, o maior de todos, são os assaltos frequentes que ocorrem na zona.

Felisberto Neto, morador no bairro há mas de dezoito anos, conta como foram assassinadas a mulher e a filha de dezassete anos: “eram cerca de 17 horas quando a minha filha se despediu antes de ir  para casa. No dia seguinte foi encontrada numa obra abandonada no Bairro do Mundial, estendida no chão sem roupa, torturada, violada até ao ponto de ficar inconsciente. Prestámos os primeiros socorros e levámo-la de seguida para o Hospital Geral.”

Os médicos fizeram cinco transfusões de sangue e, mesmo assim, não resultou. Os dias passavam sem que houvesse qualquer evolução positiva. “Perdi as esperanças, já sabia que não iria aguentar, estava muito frágil.”

E, prosseguiu Felisberto Neto, ” no dia seguinte, por volta das 22 horas, alguém bate à minha porta, levantei-me para saber quem era e recebo a notícia de que a minha esposa fora esfaqueada e atropelada na ponte do Golf 2″. Segundo alguns testemunhos, ela estava a subir a pedonal e duas senhoras que também  por ali transitavam avisaram que, do outro lado da ponte, parava gente suspeita, pelo que seria perigoso ela passar por ali. Infelizmente ela não ouviu e prosseguiu o seu caminho e, no final da ponte, foi atacada e atingida por uma faca na costas.  Ao tentar fugir dos atacantes acabou por ser atropelada mortalmente na via principal do Golf 2. Passados três dias depois da morte da minha mulher, a minha filha morre no hospital”, lamentou Felisberto Neto. “Não se pode viver num país assim onde nos são tirados dois membros da família”.  Para Felisberto Neto, “os bandidos não devem ir para a cadeia, devem ser condenados à pena de morte”.

Segundo uma fonte da coordenação do bairro “o administrador do bairro não tem sido coerente com os seus deveres patriótico, passa parte do tempo fora da sua área de jurisdição, penalizando o bom funcionamento da própria administração, e maioria  das pessoas não conhece o administrador”.

 

Polícia corrupta

“A polícia do bairro Catinton é muito corrupta, prendem os delinquentes mas, lá para o fim do dia, soltam-nos e quando eles descobrem que foram denunciados pelo vizinho, exercem represálias violentas. Para evitá-las ou se muda de bairro ou tem de se desaparecer durante algum tempo, e é por isso as pessoas não fazem denúncias”, afirmou a mesma fonte.

“Os bandidos já não usam arma de fogo no Catinton, agora recorrem à arma branca”, diz-nos um habitante.

Do mercado do Catinton saem diariamente sacos de dinheiro,  de taxas pagas pelos comerciantes mas nenhuma parte destes valores vai parar aos cofres do Estado, antes vai parar aos bolsos de “algumas pessoas de que não posso falar”, revela-nos outra fonte que também pede o anonimato, dado o medo que domina o bairro. E adianta: “o Governo tem de fazer alguma coisa para combater este tipo de crimes”.

Luanda, tem de ser vista de uma outra forma. O caso do Catinton não é único. Até nos condomínios têm ocorrido vários crimes com estas características. O nível de crimes por violação e agressão é muito elevado e tem-se intensificado.

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